domingo, 7 de março de 2010
A confusão da proposta
quarta-feira, 11 de março de 2009
(Publicado no Correio de Salvador* em 25/11/2008)
Recebido por mim através da Komuna Raulseixistika
Filme sobre o artista acende disputa entre suas herdeiras.
Raul Seixas (1945-1989) virou mito, idolatrado como profeta pelos fãs. Entre sua família, porém, as questões giram num campo bem menos filosófico. Transitam na tortuosa seara econômica, para falar claramente. Raul, o início, o fim e o meio, cinebiografia dirigida por Walter Carvalho, que tem previsão de lançamento para agosto, foi o estopim de uma disputa que vem pairando sobre as herdeiras há anos. Sim, há herdeiras, coisa que muito pouca gente sabe. Três, na verdade: Simone Vannoy (38), Scarlet Vaquer (33), que moram nos EUA desde pequenas, e Vivian Seixas (27), que vive no Brasil. As duas primeiras, filhas da união de Raul com Edith Wisner e Gloria Vaquer, respectivamente. E a terceira é fruto do relacionamento com Kika Seixas. De acordo com Renato Pacca, advogado que representa Scarlet no Brasil, o problema é que Kika Seixas assinou um contrato no qual colocava a si própria como co-produtora da obra, com ganho estipulado em 5% dos rendimentos, quando as herdeiras receberiam um total de 3,5%, cada uma. “Entramos em litígio para impedir isso. Ela receberia mais do que as herdeiras? Cancelamos aquele contrato e estabelecemos um outro no qual ela recebe 1% como consultora escolhida pela filhaVivian. As herdeiras agora têm 17% para dividir entre elas. Pois bem, o que os fãs também não sabem é que o espólio de Raul é basicamente formado por direitos autorais e de uso de sua imagem, cujos rendimentos são divididos igualmente entre as filhas. agora com o filme”, diz o advogado. “O que chateia as duas herdeiras é o posicionamento de Kika como viúva e curadora do patrimônio de Raul. Ela não é nenhuma das duas coisas. Primeiro porque nunca foi casada com ele. Depois porque para qualquer coisa ser aprovada tem que haver autorização das três filhas. Fizemos isso sem nenhum envolvimento passional, mas com profissionalismo e respeito às herdeiras”, diz o advogado. Já houve casos em que ela autorizou sozinha ou começou a negociar o uso da imagem de Raul sem nosso conhecimento, como aconteceu agora com o filme diz o advogado. Procurada pelo CORREIO, Kika Seixas, penúltima companheira de Raul, diz que o que tem a dizer não interessa ao público. Mas não resiste. “Se não sou eu a responsável pelo patrimônio artístico de Raul há 20 anos, então quem é? Aquele advogado idiota?”, provoca. Pacca esclarece. “É uma inverdade que a senhora Kika seja responsável pelo patrimônio artístico de Raul. Nunca o foi. Somente suas três herdeiras detêm direitos sobre a obra de Raul”, afirma ele, que tem blog sobre direito hospedado no site do jornal O Globo. “A questão é que Kika foi a mulher mais presente na vida de Raul, a que esteve perto na fase que ele mais apareceu na mídia. Então a imagem dela ficou associada a dele, sendo equivocadamente, conhecida como única mulher de Raul, mãe de sua única filha. Mas, tanto eu quanto o Renato, queremos conscientizar as pessoas de que existem outras duas herdeiras”, afirma Flávia Vasconcelos, especialista em propriedade intelectual (ramo do direito que inclui direitos autorais) e representante da herdeira Simone Vannoy.
Quando Raul morreu não tinha nada para chamar de seu. O apartamento na região da Avenida Paulista era de aluguel, não tinha carro e nenhuma propriedade. Tudo o que deixou foi sua imagem e as músicas que compôs. “As coisas foram deixadas à deriva até que Kika começou a tomar a frente. Até pouco tempo atrás era ela quem resolvia as coisas. Quando o filme começou a ser produzido por Alain Fresnot, começou também uma guerra de facão com raio laser entre as partes porque as outras herdeiras impediram que a produção continuasse”, relembra Sylvio Passos, 44, amigo do cantor e presidente do Raul Seixas Oficial Fã-Clube. Parece não ser somente uma briga por dinheiro esta que vigora entre os membros da vasta família do Maluco Beleza, porque, apesar de rentável sempre, os valores repassados às herdeiras variam muito de época para época. “Agora vivemos um período morno. Mas esperamos um aquecimento em 2009 por causa do filme e dos 20 anos de morte de Raul, porque a obra dele tem peso, é valiosa mesmo”, diz Flávia. O que tanto os advogados quanto Sylvio Passos fazem questão de afirmar é que o mais importante é manter a chama de Raul sempre acesa. Como amigo, admirador e presidente do fã-clube, trabalho para manter o nome dele. É uma pena que sua família não se entenda”, arremata Passos. A reportagem tentou levantar os valores da herança, mas as fontes não quiseram revelar.
Maior Fã esteve presente na reta final de Raul
O produtor cultural Sylvio Passos foi um dos poucos que tiveram acesso a Raulzito na reta final, antes dele ser encontrado morto por sua empregada na manhã de 21 de agosto de 1989. E não era uma boa coisa de se ver, garante. "Foi muito complicado, Raul entrou numa depressão profundíssima, da qual não conseguia sair. Foi um processo de degradação enorme. Ele quase não saía de casa. O alcoolismo foi a maior tragédia da vida dele. Com seqüelas muito graves do vicio (a diabetes, entre elas), Raul já não tinha dentes, não conseguia se articular direito. Era apenas uma sombra do homem que marcou o rock nacional com letras revolucionárias e postura irreverente. "Ele era muito vaidoso, mas já estava andando em slow motion. Quando o personagem que criou, e no qual se aprisionou, começou a deteriorar, ele pirou. Com 44 anos, parecia que tinha 60", diz Sylvio. Ainda tinha a distância das filhas. "Toda vez que falava nisso, ele chorava muito", conta. As lembranças que guarda não são somente as ruins. O Raul generoso, sentimental, genial também se faz presente nas memórias de Passos, autor de “Raul Seixas, uma antologia”: "Era uma pessoa maravilhosa”.
Rafael Almeida, que vive garotão em Malhação, fará o roqueiro baiano
terça-feira, 10 de março de 2009
Ata - 1ª Reunião
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Ideias livres - V
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Ideias livres - IV
Em complementação ao fio condutor de Cláudio, seguem algumas considerações minhas (após ouvir mais duas vezes o Novo Aeon).
Para mim, este disco de Raul é muito claro. O Novo Aeon é um disco de libertação. Existem vários caminhos, mas só um destino: a libertação. E o que a libertação? Para Raul, e para a Crowley, a libertação não se dá através da expiação dos pecados. Por um motivo bem simples, não existe pecado. As brincadeiras com o diabo e a mãe serpente são muito mais alegóricas que reais.
Tente outra vez, para mim, é a necessidade de acreditar em algo, pois o mundo continua existente.
É preciso acreditar em algo e continuar.
Mas acreditar em quê? A resposta não está no cristianismo, na expiação dos pecados. Por isso, o diabo é pai do rock. Portanto, é preciso pular o muro. Não queremos explicações, respostas, pois a resposta foi procurada e não encontrada. É preciso duvidar dos valores e transpô-los.
A maçã, então, não é apenas uma canção amorosa de libertação sexual. Simbolicamente, é a aceitação da tentação de transpor as barreiras. A lei suprema é a vontade. E o amor é a expressão máxima da vida. Sendo a vontade a lei suprema, o egoísmo é seu porto seguro.
E para onde tudo isso nos leva? Não temos como fugir, o caminho da vida é a morte. Todas coisas se findam. Tudo é efêmero.
Apesar de sabermos disso, de que não há escapatória, nos preocupamos com as coisas mais cotidianas em busca cega pela felicidade putrefada. Assim, nos apegamos ao velho, ao que conhecemos e consideramos seguro. Só que o mundo gira, meu caro, e as coisas mudam. Mais uma vez, é preciso seguir adiante rumo à libertação.
Mas esse não é um caminho sem ônus. Os velhos valores estão no nosso calcanhar. Amamos o novo, mas temos medo do que ele pode representar ao quebrar os velhos paradigmas.
Peixuxa, e aqui está o nó mais difícil de desatar do disco, é o anticristo, ou seja, mais uma vez, a afronta aos velhos valores. Só que agora com uma nova roupagem. Peixuxa traz uma visão mais ampla de mundo em harmonia com o meio ambiente, para além da individualidade das canções anteriores. As mudanças não ocorrem somente no nível pessoal.
O oceano é o ambiente deste planeta mais misterioso e desconhecido. É preciso cuidar dele para cuidarmos de nossas vidas. Caso contrário, o mundo poderá sofrer um grave esgotamento. Mas não é o fim do mundo. É o começo do novo mundo. A semente de uma nova luz (sunseed).
Caminhos II não é somente o tempo que se esvai. É a reafirmação de que não há outra saída. Em uma interpretação mais ampla, fazendo uma ligação com "tenho livros na estante, todos tem explicação", todas as religiões, filosofias, tratam da mesma coisa, da libertação.
E o que é a libertação? É cada um poder fazer o que quiser. São os tempos que virão. Direito de acreditar no que quiser. A sociedade de pedra, a sociedade do vil metal, a sociedade industrial, ruirão em função de um novo tempo. É poder moder a maçã, do sexo, do conhecimento do bem e do mal, sem culpa. É seguir a própria vontade, mas sem agredir a vontade do outro. "Faze o que tu queres, pois é tudo da lei". "O amor é a lei, mas o amor sob vontade".
Talvez, ironicamente, a frase final do disco "direito de deixar Cristo morrer", representa uma libertação em, pelo menos, 3 maneiras diferentes. A libertação do pecado, no sentido cristão. A libertação da vontade dos homens, por ter o direito em acredita ou não nisso. E a libertação suprema e total, a morte.
É necessário frisar que não é somente a morte material de um corpo e sim a morte de valores e ideais. Pois, da morte, em todas as religiões, surge uma nova vida.
Att
Aléxis
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Ideias Livres - III
Ideias livres sobre Novo Aeon - II
Sim, sou um dos que podem pular fora agora, nas seguintes hipóteses:
1- Se fizermos isso sem um interesse não mensurável decorrente de um valor comum a todos do grupo(não quero fazer pra aparecer, nem pra abrir portas, nem pra ganhar grana, etc.); ou
2- Se a tendência for fazer um "megaclipe" do álbum; ou
3- Se buscarmos apenas imagens ilustrativas (por mais ricas, complexas, interessantes ou bonitas que sejam) para as músicas; ou
4- Se trabalharmos com prazos que coloquem a qualidade e o capricho sob risco; ou
5- Se eu precisar me dedicar exclusivamente a algum projeto que julgue prioritário.
Vejam bem, são questões pessoais. Não estou sugerindo aos demais que me acompanhem ou concordem, mas apenas esclarecendo as condições de trabalho que me dariam vontade de entrar no Projeto Novo Aeon.
Página virada.
Para já, tenho algumas sugestões, talvez um pouco mais precisas que as do Aléxis, mas com parte de inspiração nestas. Comecei a falar com o Tristão ontem, até então eu não conseguia sequer imaginar o que seria o produto final do Novo Aeon, mas agora sim. Temos que criar uma estrutura-motivo abrangente a qual incorpore as músicas como uma sub-estrutura, ou seja, a música tem que inspirar, apontar direções, acrescentar, contribuir, participar, mas nunca comandar, abarcar ou escravizar o trabalho final (o que ocorreria num megaclipe, por exemplo).
Tenho um exemplo muito claro do que poderia ser isso: Assistiram Borat? Fantástico, né ? Imaginem que todas as situações do filme sejam espontâneas e com pessoas reais, apenas o personagem fictício (confesso que não tenho certeza se em Borat são personagens são atores sociais). A estrutra seria essa. Querem que eu especifique mais? Tudo bem, mas considerem que ainda estamos no plano "viagem". Nosso personagem seria uma pessoa singular, visualmente diferente, intelectualmente intrigante e sem freios pra perguntas. Também, como atributo seu, tocaria violão e cantaria em espaços públicos - ou não -, mesmo sem público), mas o acervo, claro, seria o Novo Aeon. Sim, poderíamos usar como personagem o próprio Raul, mas penso que com outro visual e um tipo físico bem diverso do original (negro, japonês...), além de não se apresentar como "Raul Seixas", mas como " Raul Santos", ou "Santos Seixas", sei lá.. qualquer referÊncia ao nome completo do cara.
E qual vai ser a Jornada do nosso Herói? Ele vai percorrer lugares, cidades e falar com pessoas em busca da resposta "Qual é o espírito do nosso Aeon?" ou "do Aeon que está por vir" (com a própria questão da crise, como bem pontuou o Aléxis). Serão observações de comportamentos nas ruas e ambientes fechados, entrevistas com igrejas, padres, terreiros, empresários, comunistas, gays, nerds, cabeleireiros, políticos, taxistas, jogadores de futebol, etc. Não seria nenhuma resposta definitiva pra nada, nem completa, muito menos com "dois lados" da história. Dois depoimentos sobre um assunto qualquer e já está encerrado, ponto final. Poderíamos contrabalancear com as questões de 1975 que o Aléxis levantou, fazer uma panorâmica que contraste as duas épocas. Lado a lado anônimos e "celebridades". Utilizaríamos nosso a acesso a algumas cidades como Rio de Janeiro (minha irmã), São Paulo (família suas....rs), Salvador (não precisa falar). Podemos começar do túmulo do Raul e terminar na casa onde cresceu ou nasceu, sei lá... E no meio disso tudo o personagem canta, a gravação original sobrepõe sua voz (ou não), usamos imagens de arquivo (ou não), usamos fotos (ou não), tentamos entrevistar o Serra/Lula/Babá/Quércia/Collor (ou não), entrevistamos o dono da maior boate gay de SP (ou não), entrevistamos uma criança que nunca brincou na rua (ou não), qualquer coisa/pessoa que possa sintetizar ao menos um traço do nosso zeitgeist (desculpem, a referência foi inevitável) . Afinal, nós também precisamos descobrir qual é a porra do espírito do nosso tempo, tão fragmento, diverso, liquefeito, pós-moderno.
Assistam Borat. Vejam como na sua "ironia inocente" ele faz críticas ácidas ao machismo (zombando das feministas), à frivolidade burgesa, ao preconceito religioso, ao patriotismo-facista-sanguinário dos americanos sulistas. Claro que não estou propondo um filme burlesco, mas que exponha contradições, revele pontos de vista, promova constrangimentos e ainda seja bem-humorado, que possua algum lirismo e um quê de solidão desse Quixote trovador. Um Raulzito em nosso meio, enfim.
Mais uma pedra foi lançada.
Ainda não nos reunimos para beber e ouvir o disco, mas já sabem pra que direção aponto. Se alguém for comentar minha sugestão, que por favor a mantenha no plano de idéia, possibilidade, viagem. Não de proposta (não vamos discutir viabilidades materiais-humanas por enquanto, ou vamos perder o tesão e a chance de tentar algo novo).
Abraços,
Tiago