quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ideias livres sobre Novo Aeon - II

Caros, atendendo aos apelos do Aléxis:

Sim, sou um dos que podem pular fora agora, nas seguintes hipóteses:
1- Se fizermos isso sem um interesse não mensurável decorrente de um valor comum a todos do grupo(não quero fazer pra aparecer, nem pra abrir portas, nem pra ganhar grana, etc.); ou
2- Se a tendência for fazer um "megaclipe" do álbum; ou
3- Se buscarmos apenas imagens ilustrativas (por mais ricas, complexas, interessantes ou bonitas que sejam) para as músicas; ou
4- Se trabalharmos com prazos que coloquem a qualidade e o capricho sob risco; ou
5- Se eu precisar me dedicar exclusivamente a algum projeto que julgue prioritário.

Vejam bem, são questões pessoais. Não estou sugerindo aos demais que me acompanhem ou concordem, mas apenas esclarecendo as condições de trabalho que me dariam vontade de entrar no Projeto Novo Aeon.

Página virada.

Para já, tenho algumas sugestões, talvez um pouco mais precisas que as do Aléxis, mas com parte de inspiração nestas. Comecei a falar com o Tristão ontem, até então eu não conseguia sequer imaginar o que seria o produto final do Novo Aeon, mas agora sim. Temos que criar uma estrutura-motivo abrangente a qual incorpore as músicas como uma sub-estrutura, ou seja, a música tem que inspirar, apontar direções, acrescentar, contribuir, participar, mas nunca comandar, abarcar ou escravizar o trabalho final (o que ocorreria num megaclipe, por exemplo).

Tenho um exemplo muito claro do que poderia ser isso: Assistiram Borat? Fantástico, né ? Imaginem que todas as situações do filme sejam espontâneas e com pessoas reais, apenas o personagem fictício (confesso que não tenho certeza se em Borat são personagens são atores sociais). A estrutra seria essa. Querem que eu especifique mais? Tudo bem, mas considerem que ainda estamos no plano "viagem". Nosso personagem seria uma pessoa singular, visualmente diferente, intelectualmente intrigante e sem freios pra perguntas. Também, como atributo seu, tocaria violão e cantaria em espaços públicos - ou não -, mesmo sem público), mas o acervo, claro, seria o Novo Aeon. Sim, poderíamos usar como personagem o próprio Raul, mas penso que com outro visual e um tipo físico bem diverso do original (negro, japonês...), além de não se apresentar como "Raul Seixas", mas como " Raul Santos", ou "Santos Seixas", sei lá.. qualquer referÊncia ao nome completo do cara.

E qual vai ser a Jornada do nosso Herói? Ele vai percorrer lugares, cidades e falar com pessoas em busca da resposta "Qual é o espírito do nosso Aeon?" ou "do Aeon que está por vir" (com a própria questão da crise, como bem pontuou o Aléxis). Serão observações de comportamentos nas ruas e ambientes fechados, entrevistas com igrejas, padres, terreiros, empresários, comunistas, gays, nerds, cabeleireiros, políticos, taxistas, jogadores de futebol, etc. Não seria nenhuma resposta definitiva pra nada, nem completa, muito menos com "dois lados" da história. Dois depoimentos sobre um assunto qualquer e já está encerrado, ponto final. Poderíamos contrabalancear com as questões de 1975 que o Aléxis levantou, fazer uma panorâmica que contraste as duas épocas. Lado a lado anônimos e "celebridades". Utilizaríamos nosso a acesso a algumas cidades como Rio de Janeiro (minha irmã), São Paulo (família suas....rs), Salvador (não precisa falar). Podemos começar do túmulo do Raul e terminar na casa onde cresceu ou nasceu, sei lá... E no meio disso tudo o personagem canta, a gravação original sobrepõe sua voz (ou não), usamos imagens de arquivo (ou não), usamos fotos (ou não), tentamos entrevistar o Serra/Lula/Babá/Quércia/Collor (ou não), entrevistamos o dono da maior boate gay de SP (ou não), entrevistamos uma criança que nunca brincou na rua (ou não), qualquer coisa/pessoa que possa sintetizar ao menos um traço do nosso zeitgeist (desculpem, a referência foi inevitável) . Afinal, nós também precisamos descobrir qual é a porra do espírito do nosso tempo, tão fragmento, diverso, liquefeito, pós-moderno.

Assistam Borat. Vejam como na sua "ironia inocente" ele faz críticas ácidas ao machismo (zombando das feministas), à frivolidade burgesa, ao preconceito religioso, ao patriotismo-facista-sanguinário dos americanos sulistas. Claro que não estou propondo um filme burlesco, mas que exponha contradições, revele pontos de vista, promova constrangimentos e ainda seja bem-humorado, que possua algum lirismo e um quê de solidão desse Quixote trovador. Um Raulzito em nosso meio, enfim.

Mais uma pedra foi lançada.
Ainda não nos reunimos para beber e ouvir o disco, mas já sabem pra que direção aponto. Se alguém for comentar minha sugestão, que por favor a mantenha no plano de idéia, possibilidade, viagem. Não de proposta (não vamos discutir viabilidades materiais-humanas por enquanto, ou vamos perder o tesão e a chance de tentar algo novo).

Abraços,


Tiago

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