quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ideias Livres - III

Prezados:
o aléxis já contextualizou bem o fenômeno (e o espírito) do Novo Aeon. No mais, reitero que o álbum lançado em 1975 foi um singelo "fracasso". Não à toa. Raul, de certo modo, rompia com a ordem "esotérica" dos albuns anteriores (Krig-ha-bandolo e Gita) e praticava um album ácido que dissecava as incongruências da contracultura e dos "novos caminhos" que se abriam. Nesse contexto, tanto as experiências lisérgicas, bem como o estabelecimento de uma nova postura diante das transformações ocidentais serviam de ingredientes para que Raul visualizasse, em contornos irônicos, setores outros que não o puramente "esquerdista", "louco" ou "flower power". É nessa conjuntura que O Novo Aeon deve ser visto: como um canhão desalojado das regras culturais estabelecidas, e como um sopro "estranho" de códigos. Afinal de contas o disco trazia uma série de temas prosaicos tratados com um destempero popular (que Raul sempre foi). Desse modo, a luta renhida e a fé se entranham num grito de dor a um pai oco, a um Deus vacilante (Tente outra vez); Freud é aspirado em uma polarização emblématica com Satã (apolo x dionísio) (Rock do Diabo); a liberdade de um relacionamento aberto é vista sob o prisma da paixão e da discussão intrínseca da própria liberdade (A Maçã); o individualismo e o hedonismo daqueles tempos são cinicamente emoldurados num quadro de referenciais múltiplos (Eu sou egoísta); o jogo existencial (sartre presente nas entrelinhas) rivaliza com códigos desenhados em uma esfera marxista das décadas anteriores. Raul brinca e avacalha a dialética (Caminhos 1); então, empreende a crônica do dia-a-dia para identificar o outro lado da moeda e as nossas precariedades sociais (É fim de mês); abarca os elementos da cultura de massa para sedimentar uma anti-antropofagia, com elementos do "bom tom" e do "cafona" se enamorando, não se deglutindo (Tu és o MDC da minha vida); situa o descompasso de uma geração perdida com os seus próprios propósitos (A verdade sobre a nostalgia); de novo Freud. agora percorrendo os recônditos de nossa mente vil (Paranóia); o grito de paz aos animais e à bioesfera (Peixuxa); a obervação de um tempo que vem (Sunseed). a observação de um tempo que se esvai (Caminhos 2); e a configuração de um tempo NOVO que se instaura (O Novo Aeon)...
O Alexis tem razão quando diz que o Novo Aeon já anrtecipa elementos que fazem todo o sentido, hoje. Porém, devemos olhar a radiografia da "mudança de paradigma" selada por Raul como um grito anti-ordeiro, anti-canônico, obedecendo, até as vísceras, à idéia de uma nova era (tão cara no estertores dos anos 70 década de 80 adentro). Talvez aqui esteja o cerne que devamos explorar, ou seja, O QUE É ESSE NOVO? COMO ELE SE ESTABELECE EM NOSSA CULTURA?
Portanto, proponho que o vídeo "costure" as facetas do disco faixa-a-faixa. Só desse modo, vislumbraremos uma narratividade. O disco é conceitual. Não há dúvida sobre isso. Penso que cada imagems explorada, ou cada esboço praticado em determinada canção possa exercer uma espécie de conceitualidade dentro de uma macroconceito. Não vejo problema nisso. Dessa maneira, as possíveis imagens, diálogos, personagens se envolverão num jogo de absorção de apropriação sugeridas que se edificarão homogêneos no final (este é o desafio). Não se trata, obviamente, de uma megaclipe, visto que o encadeamento conceitual do disco já permite que criemos um arcabouço "lógico" em cima dos experimentalismos livres que traçaremos.
Assim, a partir do que foi colocado, desenho o seguinte mote da concepção
IDÈIA: O NOVO SEMPRE VEM - O CONFLITO DO NOVO COM O VELHO
Depois, cada canção exercerá uma característica temática que deverá ser trabalhada nos tempo da música
Sugiro um fio condutor:
01. Tente outra vez - tema: REDENÇÃO
02. Rok do Diabo - tema: O NOVO PELO ANÁRQUICO
03. A Maçã - O NOVO PELA (NOVA) RELAÇÃO AMOROSA
04. Eu sou egoísta - O NOVO HOMEM
05. Caminhos 1: OUTRO(s) RUMO(s)
06. Fim de Mês: A CONDIÇÃO PRECÁRIA DO COTIDIANO: O NOVO VELHO DE SEMPRE
07. Tu és o MDC da minha vida: O NOVO COTIDIANO DA CULTURA DE MASSA
08. A verdade sobre a nostalgia: O TEMPO NOVO E O TEMPO VELHO EM CONFLITO
09. Paranoia: OS FANTASMAS DO PASSADO E DA MENTE: NOVO APRISIONADO
10. Peixuxa: NOVOS EMBLEMAS: A ECOLOGIA E A COLETIVIDADE
11. Sunseed - O NOVO TEMPO - A NOVA ERA CHEGANDO...
12. Caminhos 2 - A FUGACIDADE DO TEMPO
13. O Novo Aeon: O NOVO SEMPRE VEM: O DIREITO A ELE (A MATERIALIZAÇÃO DO NOVO)
O Novo é inefável!!!!
Abraços
Cláudio

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