quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ideias livres - IV

Amados,


Em complementação ao fio condutor de Cláudio, seguem algumas considerações minhas (após ouvir mais duas vezes o Novo Aeon).

Para mim, este disco de Raul é muito claro. O Novo Aeon é um disco de libertação. Existem vários caminhos, mas só um destino: a libertação. E o que a libertação? Para Raul, e para a Crowley, a libertação não se dá através da expiação dos pecados. Por um motivo bem simples, não existe pecado. As brincadeiras com o diabo e a mãe serpente são muito mais alegóricas que reais.

Tente outra vez, para mim, é a necessidade de acreditar em algo, pois o mundo continua existente.

É preciso acreditar em algo e continuar.

Mas acreditar em quê? A resposta não está no cristianismo, na expiação dos pecados. Por isso, o diabo é pai do rock. Portanto, é preciso pular o muro. Não queremos explicações, respostas, pois a resposta foi procurada e não encontrada. É preciso duvidar dos valores e transpô-los.

A maçã, então, não é apenas uma canção amorosa de libertação sexual. Simbolicamente, é a aceitação da tentação de transpor as barreiras. A lei suprema é a vontade. E o amor é a expressão máxima da vida. Sendo a vontade a lei suprema, o egoísmo é seu porto seguro.

E para onde tudo isso nos leva? Não temos como fugir, o caminho da vida é a morte. Todas coisas se findam. Tudo é efêmero.

Apesar de sabermos disso, de que não há escapatória, nos preocupamos com as coisas mais cotidianas em busca cega pela felicidade putrefada. Assim, nos apegamos ao velho, ao que conhecemos e consideramos seguro. Só que o mundo gira, meu caro, e as coisas mudam. Mais uma vez, é preciso seguir adiante rumo à libertação.

Mas esse não é um caminho sem ônus. Os velhos valores estão no nosso calcanhar. Amamos o novo, mas temos medo do que ele pode representar ao quebrar os velhos paradigmas.

Peixuxa, e aqui está o nó mais difícil de desatar do disco, é o anticristo, ou seja, mais uma vez, a afronta aos velhos valores. Só que agora com uma nova roupagem. Peixuxa traz uma visão mais ampla de mundo em harmonia com o meio ambiente, para além da individualidade das canções anteriores. As mudanças não ocorrem somente no nível pessoal.

O oceano é o ambiente deste planeta mais misterioso e desconhecido. É preciso cuidar dele para cuidarmos de nossas vidas. Caso contrário, o mundo poderá sofrer um grave esgotamento. Mas não é o fim do mundo. É o começo do novo mundo. A semente de uma nova luz (sunseed).

Caminhos II não é somente o tempo que se esvai. É a reafirmação de que não há outra saída. Em uma interpretação mais ampla, fazendo uma ligação com "tenho livros na estante, todos tem explicação", todas as religiões, filosofias, tratam da mesma coisa, da libertação.

E o que é a libertação? É cada um poder fazer o que quiser. São os tempos que virão. Direito de acreditar no que quiser. A sociedade de pedra, a sociedade do vil metal, a sociedade industrial, ruirão em função de um novo tempo. É poder moder a maçã, do sexo, do conhecimento do bem e do mal, sem culpa. É seguir a própria vontade, mas sem agredir a vontade do outro. "Faze o que tu queres, pois é tudo da lei". "O amor é a lei, mas o amor sob vontade".

Talvez, ironicamente, a frase final do disco "direito de deixar Cristo morrer", representa uma libertação em, pelo menos, 3 maneiras diferentes. A libertação do pecado, no sentido cristão. A libertação da vontade dos homens, por ter o direito em acredita ou não nisso. E a libertação suprema e total, a morte.

É necessário frisar que não é somente a morte material de um corpo e sim a morte de valores e ideais. Pois, da morte, em todas as religiões, surge uma nova vida.


Att

Aléxis

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